Conceitos de preservação
Preservação: ação de retardar ou prevenir a deterioração de que são suscetíveis os bens culturais. A prevenção se dá mediante controle das condições ambientais, de guarda e manuseio das obras, visando a estabilidade química e física dos materiais que as compõem.A preservação do acervo está ligada à política de administração da instituição, ao sistema de segurança e à conservação do edifício onde se encontrem as obras.
Conservação Preventiva: intervenção superficial,não age sobre a estrutura química ou física da obra.Realiza-se mediante limpeza e retirada de agentes agressivos à obra (como pó, dejetos de insetos, esporos de fungos, clips, grampos enferrujados, dobras, vincos etc).O acondicionamento( caixas, por exemplo),com material adequado,auxilia na prevenção de problemas ao formarem barreiras entre a obra e o ambiente.
Conservação Curativa: intervenção mecânica através de acréscimos de materiais, como reparo com papel japonês, enxerto com papel reciclado, etc.
Restauração: intervenção que altera as propriedades físicas e químicas da obra,tais como banhos de desacidificação,remoção de manchas com alvejantes, retirada de adesivos com solventes químicos, hidratação do couro da encadernação etc.
Fatores que degradam a celulose
Luz: A luz é definida como ondas eletromagnéticas que se propagam da fonte ao receptor. A luz é uma forma de energia e a energia está sempre em movimento. Entretanto, esse movimento não é uniforme, mas se realiza por ”saltos”. Os materiais que compõem os acervos (papel, tinta, couro etc.), ao absorverem parte dessa energia,terão suas moléculas mais ativadas que o normal, e transmitirão para outra molécula esse movimento iniciado ao receber a iluminação. Por exemplo, uma molécula de celulose, ao absorver essa energia, poderá transmitir o excesso para uma molécula de oxigênio ocasionando uma oxidação e possível ruptura da cadeia molecular – o que causará um enfraquecimento do papel.Se a reação se der com a lignina teremos o escurecimento do papel, por exemplo. É, pois, uma reação em cadeia,de efeitos acumulativos, ou seja, tornar-se-ão mais intensos a cada nova exposição, e irreversíveis. A temperatura e a umidade relativa do ar (UR) são fatores que aceleram esse processo.
Umidade e temperatura: O papel interage com o meio ambiente de forma constante, absorvendo ou liberando umidade, conforme a temperatura. O papel necessita de água para manter a flexibilidade das fibras, porém se a absorção for maior do que o necessário, as fibras ficarão “encharcadas”,se menor teremos o ressecamento do papel.Em ambos os casos, teremos o rompimento da cadeia molecular, seja pelo baixo teor de umidade, seja pelo apodrecimento das fibras,(alto teor de umidade). O excesso de umidade será também um meio de desenvolvimento de agentes biológicos, em especial os fungos, que estão em suspensão no ar e, ao encontrarem um ambiente propicio ao seu desenvolvimento, depositar-se-ão sobre o papel, do qual extraem os nutrientes necessários ao seu metabolismo.
Agentes poluidores: Em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, não é preciso falar muito, é de conhecimento geral os efeitos nocivos da poluição. Nosso ar está composto de dióxido de enxofre, dióxido de nitrogênio, monóxido de carbono etc, que ao se combinarem com a UR formam ácidos que degradam a celulose,rompendo sua estrutura molecular.