Biografia
Nasceu em 19/04/1886, no Recife e
morreu em 13/10/68, no Rio de Janeiro. Poeta que provavelmente foi a
principal figura do Modernismo brasileiro, embora tenha se recusado
a participar da Semana da Arte Moderna de 1922, em São Paulo.
Bandeira foi educado no Rio e São
Paulo, mas em 1903 a tuberculose forçou-o a abandonar seu sonho de
ser arquiteto (o pai era engenheiro). Muitos dos seus anos seguintes
ele passou viajando em busca da cura, e durante este período leu
extensamente e retomou a produção de poesia (seu primeiro poema, em
alexandrinos, tinha saído em 1902).
Seus primeiros livros (A cinza das
horas, 1917, e Carnaval, 1919) mostram a influência tardia dos
simbolistas e parnasianos, mas alguns poemas de seu livro seguinte
(Ritmo dissoluto, 1924) já contemplam a sensibilidade do modernismo
emergente, que tentava liberar a poesia do academicismo e da
influência européia. Libertinagem (1930) mostra claramente
tendências modernistas nos seus versos livres, linguagem coloquial,
sintaxe pouco convencional e o uso de temas folclóricos. Seus livros
seguintes (Estrela da manhã, 1936, Lira dos cinqüent'anos, 1940,
Mafuá do malungo, 1948, Opus 10, 1949, e Estrela da tarde, 1960)
consolidaram sua posição como um dos maiores poetas brasileiros.
Apesar de sua longa vida como poeta, só começou a ter lucro material
com sua produção em 1937, quando ganha o prêmio da Sociedade Felipe
d'Oliveira.
Na sua poesia, Bandeira abandonou o
tom retórico de seus antecessores e usou a fala coloquial para
tratar de temas triviais e eventos do dia-a-dia, com objetividade e
humor.
Em 1935 é nomeado pelo Ministro
Capanema inspetor de ensino secundário. Ensinou literatura no
Colégio Pedro II, no Rio, de 1938 a 1943 e tornou-se professor na
Universidade do Brasil naquele último ano.
Bandeira também traduziu vários poemas
de inúmeros autores (Goethe, Jorge Luís Borges, Heine, Cummings,
Rilke, Kahlil Gibran, Baudelaire, García Lorca, Elisabeth Browning,
Emily Dickinson, Verlaine, etc.). Adicionalmente traduziu várias
peças de teatro e livros em prosa, entre eles Macbeth (Shakespeare),
Maria Stuart (Schiller) e A Prisioneira (de Em busca do tempo
perdido, de Proust, em parceria).
Colaborador em vários jornais durante
toda sua vida, produziu inúmeras crônicas e crítica artística. Foi
ainda antologista (Antero de Quental, Gonçalves Dias), historiador
literário (Noções de História das Literaturas) e biografista.
Fonte:Jornal de poesia
Alguns versos:
Estrela da Manhã
Nas ondas da praia
Nas ondas do mar
Quero ser feliz
Quero me afogar.
Nas ondas da praia
Quem vem me beijar?
Quero a estrela-d'alva
Rainha do mar.
Quero ser feliz
Nas ondas do mar
Quero esquecer tudo
Quero descansar.
Nas ondas do mar
Quero ser feliz
Quero me afogar.
Nas ondas da praia
Quem vem me beijar?
Quero a estrela-d'alva
Rainha do mar.
Quero ser feliz
Nas ondas do mar
Quero esquecer tudo
Quero descansar.
Belo Belo
Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo — que foi? passou — de tantas estrelas cadentes.
A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.
O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.
Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.
As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.
Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.
— Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.
Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo — que foi? passou — de tantas estrelas cadentes.
A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.
O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.
Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.
As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.
Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.
— Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.
Arte de amar
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.