A História da Ilustração
Originariamente, ilustração e escrita eram uma só coisa, já que ambas nasceram dos caracteres pictográficos, imagens sintetizadas num signo linear e ordenadas de modo a transmitir idéias. A ilustração propriamente dita existe quando uma mesma mensagem pode ser interpretada por duas vias: a primeira, mediante a leitura de sinais abstratos e a segunda, por imagens pictóricas.Ilustração é qualquer representação gráfica que venha a explicar, esclarecer ou embelezar um texto. A ilustração pode ter, portanto, finalidade informativa ou ornamental.
Na antiguidade, era frequente se juntarem figuras às inscrições monumentais, como na estela de Israel e no Código de Hamurabi. Também era comum a ilustração de textos científicos, sobretudo médicos e botânicos, mas os documentos dessa época são escassos. A rigor, a arte da ilustração surgiu com o papiro egípcio e daí passou ao códice de pergaminho, na forma de miniaturas conhecidas como iluminuras. Um dos mais antigos manuscritos desse tipo que sobrevivem é a Ilíada, do século IV, da Biblioteca Ambrosiana de Milão. No cristianismo primitivo, a ilustração foi muito usada para evangelizar uma população que, em sua maior parte, não sabia ler.
Os séculos XVII e XVIII foram a época de esplendor da ilustração gravada em metal. Presente nas folhas de rosto alegóricas características do estilo barroco, o talho-doce apresenta, porém, a desvantagem de exigir a estampagem num tipo de prensa diferente daquela em que se imprime o texto. A litografia, inventada no fim do século XVIII mas utilizada na ilustração do livro apenas a partir do século XIX, é um dos processos de execução mais fácil. Consagrada pelo romantismo, teve seu primeiro grande sucesso na arte do livro com a edição do Fausto de Goethe, ilustrada por Delacroix, em 1828. O processo deu grande impulso à ilustração tipográfica, de que são o melhor exemplo as Voyages pittoresques et romantiques dans l'ancienne France (1820-1878; Viagens pitorescas e românticas à antiga França), publicadas em vinte volumes. Mais tarde, tornou-se o instrumento por excelência da crítica social, na ilustração caricata de publicações periódicas.
No início do século XIX popularizou-se também a zincografia. Seguiram-se os processos fotomecânicos, que permitiram a produção em larga escala de livros didáticos e técnicos ilustrados com a necessária precisão documental e a favoreceram a multiplicação das revistas de atualidades. Grande número de artistas modernos, como Toulouse-Lautrec, Matisse, Picasso, Kandinski, Paul Klee e Salvador Dalí, dedicaram-se à ilustração. As novas técnicas de reprodução incluem o linóleo e a serigrafia, entre outras.
A ilustração de livros se divide habitualmente em dois tipos: intratextual (figura) e extratextual (estampa, prancha ou lâmina). Os processos mais antigos de ilustração, ainda empregados em edições de luxo, se faziam por gravura: em relevo (xilogravura), a entalhe (talho-doce) e em plano (litografia). Modernamente, emprega-se a fotogravura (processos fotomecânicos), também nos seus três sistemas: em relevo (clichês a traço e autotipias), a entalhe (rotogravura) e em plano (offset). Os jornais, que eram ilustrados pelos três processos de gravura, hoje são exclusivamente realizados por meios fotomecânicos, especialmente pela rotogravura e offset, que permitem imprimir, ao mesmo tempo, o texto e as ilustrações.
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Ilustrações de Gustave Dore
Paul Gustave Doré (Estrasburgo, 6 de janeiro de 1832 — Paris, 23 de janeiro de 1883) foi um pintor, desenhista e o mais produtivo e bem-sucedido ilustrador francês de livros de meados do século XIX. Filho de um engenheiro, começou a desenhar já aos treze anos suas primeiras litogravuras* e aos catorze publicou seu primeiro álbum, intitulado “Les travaux d’Hercule”. Aos quinze anos engajou-se como caricaturista do “Journal pour rire”, de Charles Philipon. Neste mesmo ano – 1848 – estreou no Salão com dois desenhos a pena.
Em 1849, com a morte do pai, já reconhecido apesar de contar apenas dezesseis anos. Passa a maior parte do tempo com a mãe. Em 1851 realiza algumas esculturas com temas religiosos e colabora em diversas revistas e com o “Journal pour tous”.
Em 1854 o editor Joseph Bry publica uma edição das obras de Rabelais, contendo uma centena de gravuras feitas por Doré. Entre 1861 a 68 realiza a ilustração de A Divina Comédia, de Dante Alighieri.
Com aproximadamente 25 anos, começou a trabalhar nas ilustrações de O Inferno de Dante. Em 1868, Doré terminou as ilustrações de O Purgatório e de O Paraíso, e publicou uma segunda parte incluindo todas as ilustrações de A Divina Comédia.
Sua paixão eram mesmo as obras literárias. Ilustrou mais de cento e vinte obras, como os Contos jocosos, de Honoré de Balzac (1855); Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes (1863); O Paraíso Perdido, de Milton; Gargântua e Pantagruel, de Rabelais; O Corvo, de Edgar Allan Poe; a Bíblia; A Balada do Velho Marinheiro, de Samuel Taylor Coleridge; contos de fadas de Charles Perrault, como Chapeuzinho Vermelho, O Gato de Botas, A Bela Adormecida e Cinderela, entre outras obras–primas. Ilustrou também alguns trabalhos do poeta inglês Lorde Byron, como As Trevas e Manfredo.
Gustave Doré morreu aos 51 anos, pobre, pois todo o dinheiro que havia ganho com o seu trabalho foi utilizado para quitar diversas dívidas, deixando incompletas suas ilustrações para uma edição não divulgada de Shakespeare, entre outros trabalhos.
Fonte: Blog.Vinteum