Dia Nacional do Livro: entrevista com André Neves

André nasceu em Recife (PE), onde desenvolveu suas primeiras atividades relacionadas à literatura infantil. Hoje, além de vários livros, publicados por diversas editoras, o autor coleciona prêmios em reconhecimento ao seu trabalho, como: Prêmio Luis Jardim de melhor livro de imagem; Prêmio Especial Lucca Comics & Games, na Itália; XV Prêmio Internacional de Livro Ilustrado Infantil e Juvenil, pela Conaculta, no México; e Prêmio Jabuti. Além disso, parte de sua obra também recebeu selos de “Altamente Recomendável”, concedidos pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.
O autor contou um pouco de sua relação com os livros, os títulos que marcaram sua infância, o seu processo criativo para escrever, e também sobre como despertar o gosto pela leitura nas crianças.
Fundação Bunge: Como surgiu o seu gosto pelos livros? De quem veio o incentivo à leitura?
André Neves: Os livros estiveram presentes em minha vida, em minha infância. Isso foi importante. Filho de professores, avós leitores, relatos e leituras de histórias fortaleceram meu imaginário de fantasia.
Quais são os livros que marcaram sua infância?
Ainda muito pequeno, lembro da Sylvia Orthof presente em muitos momentos, leituras compartilhadas com minha mãe professora. Recordo sempre desses livros pela casa. “Cazuza”, do Viriato Correia.
O Sítio do Pica Pau Amarelo não ficou na lembrança, a série de TV, na época, era sucesso. Lembro disso. Mas lembro também, um pouco depois, de boas leituras do autor, como “Negrinha”, “Urupês”, “Cidades Mortas”. Já mais velho, me impressionaram “Robinson Crusoe”, do [Daniel] Defoe, “A Bolsa Amarela” da Lygia [Bojunga] e não consegui largar “A Metamorfose”, do [Franz] Kafka até terminar. E o teatro me salvou na adolescência, toda fantasia de ser ator me trouxe a dramaturgia.
Todos esses livros foram importantes, fazem parte de mim. Hoje, tenho outra visão da leitura, que me impede de apreciá-los como únicos, diante de uma literatura contemporânea tão forte. Ligando o passado com o presente, a "obra" da Lygia é inquestionável, e “A Metarmorfose”, do Kafka, impressiona. Mas a livraria está cheia de coisas legais, colegas que escrevem maravilhas, com livros bem editados e com belíssimas ilustrações.
Qual são as suas principais preocupações ao escrever um novo livro?
Me confortar, me divertir, me resolver e libertar a minha própria imaginação.
Geralmente, como surgem novas histórias?
As melhores experiências de criação vêm de imagens sonhadas.
Que dicas você daria para quem quer incentivar seus filhos ou alunos a lerem?
Leiam com atenção e se apaixonem naturalmente pela leitura. Se não acontecer, paciência. Pula para outro livro ou outro autor. Leitores apaixonados conquistam novos leitores.
E quais são os principais erros cometidos ao tentar despertar esse gosto pela leitura nas crianças?
Ler por obrigação é demais. Não dá. Tem de saber chegar no novo leitor. É uma construção.
Gostaria de acrescentar alguma mensagem final?
Sim, a força que a imagem exerce no imaginário. Tão presente e rica nos livros contemporâneos. Elas podem levar o leitor mais longe e abrir o imaginário para novas leituras e livros. Com ou sem imagem. Esses livros são estimulantes e possibilitam sentidos amplos.
Pa:ra saber mais sobre André Neves, visite o blog do autor
Fonte : Fundação Bunge