
Em Itu, fazenda Capoava resgata história paulista
Cotidiano, ciclos econômicos e culinária do Estado de São Paulo são contados de forma interativa e lúdica em museu
Edison Veiga - O Estado de S. Paulo
SÃO
PAULO - O cotidiano, os ciclos econômicos e a culinária do Estado de
São Paulo são contados de forma interativa, lúdica e interessante no
Espaço Memória Capoava, recém-inaugurado em uma antiga fazenda de café
de Itu, onde funciona um hotel. O museu, entretanto, também é aberto a
não hóspedes. Grupos e escolas podem visitar o local com guias.
A
concepção do Espaço Memória é obra da socióloga Maria Alice Setúbal,
conhecida como Neca. Única mulher entre sete filhos do banqueiro Olavo
Setúbal, ela jamais se envolveu no império financeiro da família.
Preferiu a carreira acadêmica. Separada, no ano 2000 conheceu o atual
marido aos 50 anos: Paulo de Almeida Prado, de sobrenome quatrocentão,
descendente de família paulista conhecida por ter fazendas Brasilzão
afora. Dois meses depois, estavam casados. E decidiram comprar a Fazenda
Capoava e transformá-la em hotel.
Trata-se
de uma fazenda histórica de arquitetura bandeirista, que, depois de
restaurada, mantém os detalhes e a rusticidade de um ambiente típico do
campo paulista. O casarão sede, original, data do século 18. Antigas
senzalas de escravos foram transformadas em chalés.
O
Espaço Memória é a cereja do bolo - ou melhor, o trigo do bolo de fubá -
do hotel de Neca. Nasceu a partir de sua pesquisa Terra Paulista:
Histórias, Arte, Costumes, coordenada pela socióloga em 2004. “Desde
então, queria um espaço para resgatar a memória do Estado de São Paulo,
por meio do cotidiano nas fazendas.” A montagem do museu ficou a cargo
da empresa Base 7, conhecida por desenvolver projetos interativos para
museus e empreendimentos culturais.
A
arquitetura também vale a visita. O imóvel, de pau a pique e estilo
bandeirista, é uma volta ao passado. Em uma linha do tempo interativa é
possível entender o contexto político e econômico do Estado ao longo dos
ciclos do açúcar, do café e do gado.
“É um
ambiente de estudo, pesquisa e para curiosos que desejam conhecer suas
raízes e a história de São Paulo”, conta Neca. “Recursos audiovisuais -
como os terminais de consulta eletrônica, os vídeos e animações em 3D - e
o grande acervo de objetos que remetem ao cotidiano das fazendas nos
períodos das monções, ciclos do açúcar, café e gado compõem o ambiente.”
Cozinha.
Há também uma área dedicada à cultura alimentar, especialmente do
período dos bandeirantes. Receitas manuscritas passadas de geração a
geração de famílias tradicionais podem ser conferidas em painéis. A chef
Heloísa Bacellar, do restaurante Lá da Venda, na Vila Madalena, fez a
releitura de algumas para o restaurante do hotel. “Mas o mais
interessante mesmo seria se cada um dos visitantes exercitasse em casa
as receitas ali expostas. Assim, a tradição se mantém viva”, acredita a
socióloga.
Uma
máquina de beneficiamento de café dos anos 1930 e movida a roda d’água -
cujas engrenagens podem ser vistas por um piso de vidro - rouba a cena.
Em vídeo, o visitante pode ver como a engenhoca funcionava.