Soneto XXII


Inspiro a casa,os livros,e este vento
as formas e as essências que hoje habitam
o chão do mundo.As forças que me ditam
seus destinos de carne e pensamento.

Pelos caminhos do ar ,renovo e invento
a vida que me cerca. Noites gritam
nos olhos estrelados, que me fitam,
desperto em mim , e esse acordar é lento.

Recrio o amor,as árvores frondosas,
o castelo perdido,o pão,a bruma,
a idéia do cristal,o som das rosas.

Quando sinto que o sol desperta a imagem,
morro com ar que se tornou espuma,
sopro a palavra no papel paisagem.

Paulo Bomfim.
Livro dos sonetos