Arte religiosa e arte sacra não têm o mesmo significado, pois uma obra pode ser produzida sob a inspiração divina, mas não ser voltada para o culto. Portanto, esta tem um destino concreto, o de servir a rituais litúrgicos. Jacques Maritain destaca a distinção, dentro da esfera da arte, da produção cristã e, inserida nesta, a atuação da arte sacra, através de elementos espirituais que compõem sua essência.

Não seria apropriado, por exemplo, rezar a Missa diante de um quadro, por maior que seja seu valor artístico. Não importa, assim, o significado estético ou o elemento sensível da obra, e sim sua capacidade de elevar os sentimentos dos que a contemplam – ela deve ser um símbolo do mistério divino. Em resumo, ela deve adequar-se às cerimônias litúrgicas, mas conservar ao mesmo tempo as qualidades estéticas do que se conhece como arte, expressando com um estilo próprio sua linguagem particular.
A Igreja sempre abrigou em seu núcleo as manifestações artísticas, mas na esfera privada dos seus rituais ela não admite princípios profanos, assim ela cria rigorosos critérios de seleção e procura discernir o que se ajusta à fé cristã e às suas tradições. Contra a iconoclastia calvinista, o concilio de Trento destaca a importância de algumas imagens, como as de Cristo, da Virgem Maria e dos santos, sem incidir em atitudes abusivas.

Houve o predomínio, durante muito tempo, dos exageros barrocos, nascidos da ilusória idéia de que tudo relacionado a Deus deve ser excessivo, grandioso, envolto em camadas de ouro, cores e brilhos. Movimentos como os dos franciscanos pregam a simplicidade e a beleza, essência divina. Mas no Vaticano e em algumas outras importantes Catedrais vigora ainda o reinado do ouro e dos exageros formais. No Brasil, bem como em toda a América, predomina o Barroco Mineiro, com destaque para Atahide e Aleijadinho, conhceidos mundialmente. A Arte Sacra foi a primeira expressão artística no Brasil colonial.